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quinta-feira, abril 07, 2005

Na obra The Burden of Our Time Hannah Arendt designa pela palavra ressentimento a disposição afectiva característica do homem moderno. Ressentimento contra “tudo o que é dado, mesmo a própria existência”; ressentimento contra “o facto de não ser criador do universo, nem de si mesmo”. Levado por esse ressentimento fundamental a “não ver qualquer razão de ser no mundo tal como ele se oferece”, o homem moderno “proclama abertamente que tudo é permitido, e acredita secretamente que tudo é possível.”

Tudo é possível: este axioma revelou o seu poder devastador tanto nos crimes perpetrados em nome da humanidade universal como naqueles que a ideia de humanidade superior serviu para justificar. Hannah Arendt afirma, no mesmo texto, que a gratidão é a única alternativa para o niilismo do ressentimento. “Na esfera da política a gratidão acentua o facto de não estarmos sós no mundo. Não podemos reconciliar-nos com a variedade do género humano e com as diferenças entre os homens a não ser tomando consciência, como de uma graça extraordinária, do facto de serem os homens, e não o homem, que habitam a terra.”

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