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sábado, dezembro 13, 2003

Como justificar o medo que o Estado laico sente em relação à Religião?

Tanto é o medo que acaba por pedir a uma comissão de sábios para tomar decisões em relação às crenças mais profundas da população.

Grandes devem ser as pessoas que constituem esta comissão de sábios já que conseguem discernir as intenções de cada uma das malévolas personalidades que usam as atitudes religiosas como armas contra o sistema.

Tem lógica! Estão sempre a dizer que os políticos não resolvem os problemas…
Aqui o problema era simples: violência motivada pela religião.
Resolução: apagar as marcas religiosas da sociedade.
Simples e eficaz!
Fico agora à espera de uma solução para a violência no futebol. Suponho que se vá proibir o uso dos símbolos clubisticos… suponho que os equipamentos tradicionalmente usados pelos miúdos passem a ser, por indicação de uma comissão de sábios, proibidos, vendidos juntamente com a droga e usados à noite, no fundo de um quarto escuro para mostrar ao amigo mais íntimo que sabemos não nos vai denunciar. Fico à espera da proibição dos símbolos partidários, das marcas comerciais, das bandeiras de cada país, bem, dessas imagens ofensivas para o Estado livre, independente e que, aparentemente, só viu a luz do dia depois do Iluminismo.
Alguém consegue distinguir o comportamento de um Estados deste tipo daquele assumido pelos talibãs? Ambos pretendem interferir na vida de cada um proibindo o uso de determinadas indumentárias; ambos demonstram um completo desprezo por culturas alheias, afirmando possuir o segredo da paz perpétua do Estado; ambos acabam por ser indiscutivelmente básicos na sua abordagem do mundo.

Cada vez aprecio mais esta Europa…
Lugar maravilhoso que olha em volta e sorri perante a falta de História dos outros povos…
Lugar maravilhoso que, vim agora a saber, segundo o documento central da União, só sofreu influências do Iluminismo. Tenho de refazer a minha visão sobre o mundo… Afinal, a nossa língua, religião, cultura, fronteiras, costumes, literatura, filosofia, ciência, etc. não têm mais de trezentos anos. Há, todavia, dúvidas que me incomodam: afinal, quem construiu a Acrópole? Quem foi esse Santo Agostinho ou o São Tomás que, dizem as más-línguas, foram tão influentes neste continente de idade indefinida?

Tudo isto porquê? Medo da Religião? Não é suposto o Estado Moderno não ter medo da Religião? Não é suposto o Estado Moderno aceitar que vivemos num mundo religioso? Esta estranha necessidade de criar uma fantasia de pureza arreligiosa é assustadora… Eu não preciso de um Estado que seja meu pai e me diga que a vida sem religião é mais limpa… Não preciso de um Estado médico que me diga que a vida sem religião é mais saudável. Preciso de um Estado que conheça o seu lugar…

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